Editoras pequenas e selos independentes costumam descobrir isso pelo caminho mais caro: depois de doze títulos publicados, nenhum parece pertencer à mesma casa. Cada capa foi resolvida no impulso do lançamento, com o designer disponível naquele mês, e o resultado é um catálogo que não se reconhece na estante.
O trabalho aqui é o oposto de desenhar mais uma capa. É construir o sistema que vai desenhar as próximas trinta.
O que é um book design system
É um conjunto de regras — visuais e técnicas — que define o que se mantém fixo e o que pode variar de título para título.
Fixo costuma ser: a posição e o comportamento do logotipo do selo, a escala tipográfica, o grid da capa, a estrutura do miolo, o tratamento da lombada e o padrão da quarta capa. Variável costuma ser: a imagem, a paleta de cada título, a intensidade.
O equilíbrio entre os dois é a decisão de projeto mais importante. Sistema rígido demais produz um catálogo monótono, em que nenhum livro se destaca. Sistema frouxo demais não é sistema — é sugestão, e vira o que era antes na segunda vez que alguém tiver pressa.
O manual de aplicação
Entrego a coleção documentada, não só desenhada.
O manual descreve as regras em linguagem prática, com exemplos do que está certo e do que quebra o sistema. Junto vão os arquivos-modelo: o próximo título começa a partir de um documento pronto, com estilos e grid já configurados, em vez de começar do zero.
Isso significa que a editora deixa de depender de mim para publicar. É intencional. Um sistema que só funciona com a presença de quem o criou não é um sistema — é uma dependência.
Coleções em andamento
Nem sempre se começa do zero. É comum a coleção já ter títulos publicados quando o sistema é criado.
Nesse caso avaliamos juntos o que fazer com o que já existe: manter como está e aplicar o sistema daqui para frente, redesenhar as capas anteriores para reimpressão, ou criar uma transição que reconheça os dois momentos. Não há resposta única — depende de quanto estoque existe e de quanto os títulos antigos ainda vendem.
Perguntas frequentes
A partir de quantos títulos vale a pena criar um sistema?
Na prática, a partir de três ou quatro títulos previstos. Abaixo disso, projetos individuais costumam resolver. Acima de seis, a ausência de sistema já custa mais caro do que criá-lo.
O sistema serve para nossa equipe interna aplicar?
Serve, e é esse o objetivo. O manual e os arquivos-modelo são feitos para que um designer da casa — ou um freelancer contratado pontualmente — consiga aplicar sem precisar redescobrir as regras.
Vocês aplicam o sistema nos títulos seguintes?
Podemos seguir juntos, por título ou por contrato contínuo, ou você aplica internamente. Os dois caminhos funcionam.
Nossa coleção tem gêneros muito diferentes entre si. Dá para unificar?
Dá, e geralmente é o caso mais interessante. O sistema precisa ter camadas: uma que identifica o selo em qualquer título, outra que dá liberdade ao gênero específico.
Isso inclui logotipo e identidade da editora?
O sistema da coleção pode partir de uma identidade existente ou pedir ajustes nela. Se a editora ainda não tem identidade definida, conversamos sobre o escopo — é um trabalho adjacente, não o mesmo.