Projeto de capa para Ravinas!, livro de contos de Paula Valéria Andrade publicado pela editora Praga e finalista do Prêmio Carolina Maria de Jesus.
O título é a própria ravina. As letras de RAVINAS! aparecem duas vezes, espalhadas pela página e cortadas por barras diagonais — traços que abrem sulcos no texto como a erosão abre sulcos no solo. A leitura é reconstruída aos poucos: cada letra cai em um lugar, algumas em itálico, o N em branco, e o olho precisa percorrer a fenda para juntar a palavra. É a forma dos contos: histórias que resistem à leitura linear e exigem que o leitor participe.
Verde-kraft, filete e régua. O fundo em verde terroso remete a papel cru; um filete fino emoldura a capa e duas linhas de traços — junto ao selo da editora, no alto, e ao nome da autora, no pé — funcionam como marcações de medida, como se o terreno estivesse sendo mapeado. A lombada retoma o título e o nome da autora em branco.
Dentro, a paisagem. A arte interna é uma fotografia de ravinas de terra vermelha, tratada em posterização até virar quase pintura — o referente concreto da metáfora que a capa mostra em tipografia. A orelha traz a autora fotografada em Ocean Beach; o texto de quarta capa é de Jéssica Iancoski.