Diagramação não é "colocar o texto na página". É construir o sistema que sustenta duzentas, trezentas, quinhentas páginas de leitura sem que o olho desista no meio.
Entrelinha curta demais e o leitor perde a linha. Margem interna apertada e o livro precisa ser forçado para abrir. Hierarquia confusa entre título, entretítulo e citação e a pessoa para de entender onde está. Nada disso aparece como erro — aparece como cansaço. O leitor fecha o livro e não sabe dizer por quê.
O que está incluído no projeto
O projeto de miolo começa pelo formato e pelo grid, e desce até o detalhe: como se comporta uma citação em verso, o que acontece quando um capítulo termina na última linha da página, onde ficam as notas.
Trabalho com estilos de parágrafo definidos para cada elemento — não com formatação manual. Isso importa porque significa que uma decisão tomada no capítulo 3 se aplica aos outros vinte automaticamente, e porque, na hora de fazer uma segunda edição ou adaptar para outro formato, o arquivo responde em vez de resistir.
O arquivo final sai no padrão que a sua gráfica pede. Se você ainda não escolheu gráfica, eu preparo para o padrão mais comum e adapto depois sem custo adicional.
Impressão offset, POD e ebook
São três destinos diferentes e o mesmo arquivo não serve para os três.
A impressão sob demanda (Amazon KDP, IngramSpark) tem tolerâncias de corte maiores que o offset — uma margem de segurança que funciona na gráfica tradicional pode cortar o fólio na POD. O ebook, por sua vez, não tem página fixa: o que era um projeto de página vira um projeto de fluxo.
Quando o livro vai para mais de um destino, isso entra no escopo desde o começo. Adaptar depois custa mais do que planejar antes.
Livros com estrutura complexa
Poesia, obras com aparato crítico, livros ilustrados e não ficção com muitos níveis de subtítulo pedem decisões que um projeto padrão não resolve.
Poesia é o caso mais delicado: o verso tem quebra própria, e a diagramação precisa respeitar a linha do poeta sem deixar viúvas nem quebras acidentais que mudem a leitura. É onde mais se vê a diferença entre um miolo diagramado por alguém que lê poesia e um miolo despejado num template.
Prazo e extensão
O prazo varia com a extensão e a complexidade: um livro de poemas de 90 páginas e uma obra de não ficção de 400 páginas com notas e índice não são o mesmo trabalho.
A conta começa quando o texto está revisado e fechado. Diagramar texto que ainda vai mudar significa refazer paginação, e refazer paginação custa prazo. Se a revisão ainda está em andamento, dá para começar pelo projeto tipográfico e aplicar quando o texto chegar.
Perguntas frequentes
Quanto custa diagramar um livro?
O valor é calculado por projeto, considerando número de páginas, complexidade da estrutura e quantos formatos de saída serão necessários. Envie a extensão aproximada e o gênero da obra pelo formulário e eu respondo com uma proposta fechada.
Meu texto precisa estar revisado antes?
Sim, idealmente. A diagramação trabalha sobre texto fechado. Alterações depois da paginação são possíveis, mas mudanças grandes exigem refazer o fluxo e afetam o prazo.
Você trabalha com InDesign ou Affinity?
Trabalho em InDesign, que é o padrão do mercado editorial brasileiro e o formato que as gráficas e editoras esperam receber. Entrego também o PDF fechado, que é o que a gráfica de fato usa.
Dá para reaproveitar o arquivo da impressão para fazer o ebook?
Parcialmente. O arquivo de impressão é a base, mas o ebook exige uma exportação própria e ajustes de estrutura — não é só salvar em outro formato. Escrevi sobre isso em reaproveitar arquivo de diagramação para impressão e ebook.
Você faz rediagramação de livro já publicado?
Faço. É comum em segunda edição ou quando o livro foi diagramado às pressas e as vendas mostraram o custo disso.
E se a gráfica recusar o arquivo?
Eu converso diretamente com a gráfica e resolvo. Ajuste técnico de fechamento faz parte do serviço.