Projeto de capa para E eu não sei o que dizem os Sumérios, livro de estreia do poeta Daniel Iancóski Melo, publicado pela Toma Aí Um Poema em 2026.
Cartaz, não capa. A referência é o cartaz de rua e a gráfica de agitação do começo do século XX — Maiakóvski, o construtivismo, o modernismo brasileiro que o autor cita como influência. O título se divide em três blocos que se inclinam em ângulos diferentes: "E EU NÃO SEI" em creme sobre preto, "O QUE DIZEM OS" em preto sobre vermelho, e "SUMÉRIOS" em vermelho, enorme, ocupando metade da página. As bordas dos blocos são rasgadas e há sujeira de impressão, como se a tinta tivesse sido aplicada com pressa.
Três cores, nenhuma imagem. Creme, preto e vermelho — a paleta clássica do cartaz — e só tipografia. A hierarquia vem do tamanho e do ângulo, não do peso: o olho lê de cima para baixo seguindo a inclinação dos blocos.
Verso e orelhas. A quarta capa continua o cartaz com um segundo bloco tipográfico — "Não te movas, deixa falar o tranco de uma granada antes do estilhaço" — e a lombada é vermelha. As orelhas trazem o retrato do autor e o texto de apresentação, de João Victor Silva Borges.