Projeto de capa para Monólogo miúdo da feiura, livro de poemas de Marcela Hallack, publicado pela Toma Aí Um Poema.
O feio como lente. O livro propõe a feiura como "operador crítico da percepção", e a capa aceita a proposta: um rosto de mulher de boca escancarada, língua para fora, olhos arregalados, pintado em cores sujas — verde-oliva, ocre, vermelho, azul — com traços de expressionismo e rabiscos de caneta por cima. Não é uma capa para agradar; é uma capa que olha de volta.
A cidade atrás. O fundo é uma silhueta de cidade em cinza sobre ocre, e o quadro do rosto está inclinado, como um cartaz colado torto. O título fica na lombada e no verso, em letras soltas e coloridas, cada uma de uma cor — miúdo, quebrado, à mão. O nome da autora desce pela lombada, letra por letra.
Dentro, o corpo. As guardas trazem desenhos em nanquim sobre verde-oliva: corpos de mulher, cintas-ligas, costelas — o "corpo feminino, a arte, a fome, os restos" que o livro articula. A capa aberta tem os textos de apresentação nas orelhas e o poema "reflexo" no verso.